julho 31, 2004

noite cheia de lua

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Escrevo…


o sangue ruge na tempestade de densa sombra


na penumbra olham-me uns olhos sem moldura


e das entranhas despenha-se uma nascente de sangue


coágulo da madrugada


pássaro ferido tombado numa refulgente estrela


que se extingue nessa escarpa onde o abismo canta


garganta de neve incandescente que cobre a saliva


de uns lábios inchados


cobertos de sémen ausente doce vinho quente


idioma da carne profanada por um punhal de sobressalto


 


escrevo…


a semente do alvorecer do verbo


um livro de brilhantes margens onde correm as ninfas


na bruma dos templos e das acácias coroas de sábias pérolas


onde eternamente o esquecimento se torna pó


e do pó se libertam as palavras de marfim de sílabas de musgo


 


e os olhos incendeiam-se perante uns lábios que derramam


a maré


de linho


de cristais de conchas de búzios


de claridade de sombra


clara brisa de uma noite cheia de lua


cheia de pele e ferida no limiar de uma lâmina


aconchego dessa lava que te incendeia os seios


                                                                        em desalinho


 


o nome apaga-se e fica o silêncio


de umas mãos vazias


e um rosto


que respira a espuma de uma flor no deserto


devorai o sangue coberto de pétalas de mandrágora


e açucenas e orquídeas frutos de ternura poções de beijos


acrobatas da vida poetas de secretas magnólias


que crescem nas estrelas


cadentes arautos desse húmus


que te preenche a agonia de uma loucura


errante…


 


escrevo um equinócio de azul


no sossego de um destino de corais derradeiros


escrevo um sopro de anémona inanimada


bordada nos dedos signos inóspitos de um sonho feroz


escrevo palavras de seda que devolvem a neblina ao poema


escrevo o poema de uma flor escrevo o láudano de uma noite


abrigada num ventre de mel


 


intenso o sangue que reveste as palavras


que escrevo…


 

Posted by baccusdionysus at 07:12 AM | Comentários: (3)

julho 30, 2004

hoje

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Hoje apetecia-me gritar a poesia espalha-la de mão em mão vomitar numa praia deserta de sensações enforcar-me nas pálpebras de algum nenhum olhar e voltar com a sensação de trabalho feito… correr tropeçar cair espalhar o sangue pelas folhas de maresia rebolar-me na urina dos sátiros cortar um pulso e oferecer-te um beijo manchado de sémen e suor oferendas de breves corpos permissivos coxas de fel mel peles sedentárias esquartejadas perante um phalo crucificado na vontade na volúpia no desejo na madrugada que vem e ninguém lhe pediu. Hoje apetecia-me pilhar matar abraçar e dar a vida àqueles que dormem no sossego sibilante de uma morte esperada. Beber fumar morrer mais uma morte desfalecida num tempo que não é o meu. Lamber beijar urinar rasgar a seda que te cobre e com ela criar um poema de nuvens despedaçadas num horizonte sempre mais longe que tentas alcançar no desespero de um sussurro murmurado na brisa de uma pena de asa do estertor de um anjo…


Hoje apetecia-me… hoje.


 

Posted by baccusdionysus at 09:42 PM | Comentários: (4)

julho 29, 2004

o outro lado do espelho

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Fizeram-me o amável convite de passar para o outro lado do espelho. Aceitei… agora narciso reflecte-se num livro branco…

Posted by baccusdionysus at 02:16 AM | Comentários: (1)

é tempo

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nunca é cedo para matar as palavras


nunca é tarde


para escutarmos o grito surdo da nossa respiração


                                    sempre antiga repousando no fundo


de um búzio


de onde brotam as palavras


que ainda não matei


                                    e deslizam na imobilidade de um rugido


que invade o sono


e nos oferece uma imperceptível visão de um rosto de musgo


devorado pelo tempo…


 


é tempo de matar o tempo que nos mata…


 

Posted by baccusdionysus at 01:40 AM | Comentários: (0)

palavras descalças...

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cerro os olhos e não durmo


nada me desperta da insónia


pernoito na memória


esse cemitério de macias açucenas


espuma da maré de mel


que me embala as palavras


                                                descalças de ti…


 

Posted by baccusdionysus at 01:07 AM | Comentários: (2)

a noite cai...

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a noite cai


            e liquefaz-se em poema


escorre


            pelos olhos


e fica o desejo da eternidade de um


olhar…


 

Posted by baccusdionysus at 12:57 AM | Comentários: (1)

julho 27, 2004

madrugada

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Deitas-te sobre as pétalas de uma carícia de nuvem


e teus olhos raiados de lua oferecem-me esse bosque


onde os faunos se inebriam bebendo o láudano desse lago


entre tuas coxas de mel


eles gritam


uivando rosas que preenchem teu nome indizível


rente às mãos que tocam a pele de mariposa que arde no azul


algures nas águas revoltas repletas de corais e búzios


a que encosto o ouvido


e te ouço sorrir


deitada


esperando que a madrugada me acorde para ti...


 

Posted by baccusdionysus at 02:59 AM | Comentários: (6)

julho 25, 2004

ressaca

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AI...

Posted by baccusdionysus at 12:05 AM | Comentários: (11)

julho 22, 2004

que silêncio...!!!

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O sapo está mudo. Calou-se. Não fala nem deixa falar. Que é que se passa? Nem sussurros nem murmúrios nem ecos nem palavras paridas pelos dedos de estranhos, sombras de um reflexo assíncrono, mendigos da existência que tocamos ao de leve. Num roçar de asa. Num suspiro de estertor, numa melodia de criança solitária que descansa no ventre da mãe. Abre a boca e regurgita pétalas do sentir, ausentes no ecrã minucioso de néons mil, berço da resposta ao enigma de uns olhos.


Em silêncio…


 

Posted by baccusdionysus at 06:56 PM | Comentários: (6)

paradoxo absurdo

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Estou triste. Atormenta-me a consciência da falta de comunicação entre as pessoas hoje em dia. Todos têm a sua verdade. Uma verdade individual e egocêntrica. Uma necessidade visceral de uma fé numa divindade. É disso que se trata. Para sobrevivermos necessitamos de uma fé numa verdade, na nossa verdade, no nosso deus. E essa fé é cega, e essa verdade única, o nosso deus narciso renascido dos mitos. Não nego a minha culpa. Não a expio. Não faço a minha apologia. Também eu sou a minha verdade. Mas arrepia-me o constante ataque que diariamente sentimos da parte daqueles que nos rodeiam. Sentimo-nos atacados e defendemo-nos atacando. Partimos do ponto de vista da nossa verdade, logo algo que vá contra o que digo é um ataque. Ciclo vicioso…andamos com a auto-estima tão em baixo que não nos pode sequer passar pela cabeça que estamos errados; logo se é algo tão óbvio que temos que admitir que estamos errados, logo de seguida temos de estar certo duas vezes para compensar. Daí que numa discussão muitas vezes se salta de um assunto para outro só para podermos estar certos. E aí aparece o orgulho e o ressentimento. E está tudo estragado.


Outro grande problema é que para uma pessoa estar certa a outra (não sei porquê) têm obrigatoriamente de estar errada. Por isso tantas vezes duas pessoas estão a falar do mesmo por vias distintas e no entanto estão a discutir… é surreal assistir a isto. Porra vocês estão a dizer a mesma coisa. Existe uma surdez cognitiva compulsiva contemporânea.  As pessoas não ouvem. Nós não sabemos ouvir. Começamos a perder esse sentido a partir do momento em que (julgou a humanidade) já não era necessário para a sobrevivência da espécie. Mas é. E cada vez mais. Temos de quebrar esse vício de que à priori te vou ferir no fundo da tua verdade, que te vou mostrar que estás errado. Não. Vou apenas explicar a questão.


Para mim é inconcebível alguém estar sempre certo em tudo. Simplesmente não é normal. Temos que errar. Temos que pedir desculpa. É humano. É poesia. Prefiro a morte à perfeição. E acreditem que isto não são só palavras.


Era bonito existir uma humanidade em que o seu pré-conceito seria esta pessoa gosta de mim em vez de esta pessoa vai mostrar que eu não sou perfeita e que estou errada… ninguém nos precisa de mostrar isso. É óbvio que somos imperfeitos. é óbvio que muitas vezes estamos errados. A moral é um sentido estético criado e metamorfoseado por um consenso político-religioso intocável. Intocável pois obrigamos tal a existir para nosso próprio comodismo. Não quero ser uma cómoda a quem abrem as gavetas e arrumam lá coisas. Recuso-me. Mas essa é a minha verdade. Posso estar errado…


 


A relatividade da existência.


 

Posted by baccusdionysus at 12:01 AM | Comentários: (9)

julho 21, 2004

100 comentários

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Posted by baccusdionysus at 01:46 AM | Comentários: (2)

presente ideal para namorada

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isto era um sucesso numa noite de oparte...

Posted by baccusdionysus at 01:45 AM | Comentários: (2)

repito-me

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A liberdade é a consciência do absurdo da vida

Posted by baccusdionysus at 01:20 AM | Comentários: (0)

a lágrima de um anjo

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os anjos choram...


 


sangram nas rosas rubras de beleza de um arfar


os anjos desmaiam em sombras afiadas


tingindo os lençóis inanimados que cobrem a Morte


dormindo sonhando numa candura profunda o Amor


 


os olhos


 


abandonados ao vento


brilhando luz e veias de pavor e sussurros


refrescando-se no teu rosto cratera que tudo cerca


pulsando um esperma secreto de um Pã demente


 


numa penumbra árdua e ardente


torno-te transparente


e viva em golfadas de paisagens


que crescem


que cortam a noite que se abre sobre a fenda azul


que são


 


teus olhos


 


destilo delírios de poemas nados-mortos que nascem


à rapidez dum esplendor crucificado no


 


poema incólume


 


num esforço de estar vivo com um lento fôlego escrevo


o limbo de que fujo


num movimento espalhado quebrado agachado diante de


 


ti


 


e o falo da besta opulenta


palpitando numa delicadeza de clarão convidado


quando te percorre a escuridão admirável dum esforço xamânico


que nos envolve...


totem de Eros em torno do qual em braçadas soturnas


dançam os sátiros devorados por anjos cegos


 


e eles choram


num banquete canibal num sopro glacial e


límpido ao depararem-se com o


espelho...


 


estão cegos pelas suas lágrimas de sangue


 


os anjos choram...


 


 

Posted by baccusdionysus at 01:17 AM | Comentários: (1)

julho 20, 2004

sê bela - anunciaram os ecos

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Os ecos anunciaram


Os ecos anunciaram


Confissões minimalistas


O agora já foi futuro


Somos frequências digitalizadas pela criação


A consciência formou a realidade é uma frequência


Escrevo sinto o agora em cores sons cheiros que se cruzam


             na demência de um quadro que li


 


A prisão da criação


 


Necessito de escrever algo que seja o vazio


                                     para sentir o todo


Uma anarquia de palavras que criem o caos da unidade


 


Afasto-me das serpentes que me transportam para campos


                     de lírios devorados por charros estrangeiros


Como eles são ásperos e vulgares


Como dois anjos cuja familiaridade fraterna abala


             o grito estupefacto de algo que se inflama


 


Somos Deuses disfarçados de loucos românticos


 


Da minha boca derramam-se os prazeres voluptuosos  honorários


                                              revestidos de languidos amantes


A seiva brota cristalina das guelras dos seus ventre fecundos


Desdenhas das águas que fogem para um sol humilde que espalha


Beleza brilhante nos phalos envenenados


Chupa-me a admirável e elegante baba


Que escorre da minha claridade


 


Sê bela!


Em pó fica o seu crime


Seios de cheiro a jasmim feridos pelas almas que te restam


Doces nascentes de mel impregnem-me nas vossas trevas aclaradas


 


Sê bela!


Peçonha pesar repousa na safira conjurada na harmonia de uma manhã


 


Grotesco malabarismo com os punhais encarcerados


Sou uma miragem


Não estava lá


Lá onde as carícias são chicotes


Banho-me em gasolina e acendo um cigarro


O tabaco mata


Fumo a alma insana “ esgotada


Já não há bilhetes para esta noite


Queira esperar pela próxima sessão...”


 


Anunciaram os ecos


 

Posted by baccusdionysus at 10:25 PM | Comentários: (0)

joga os dados...

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O filme amor perro deixou-me a pensar numa coisa que eu tinha como que inconscientemente enraizada num suspiro de cimento dentro das minhas certezas. somos deuses de todos os que nos rodeiam, de toda uma humanidade, menos de nós próprios. Passo a explicar. Sussurrando ao de leve a teoria nietzcheniana , somos responsáveis pelo destino dos demais. Qualquer acção, por mais insignificante que seja, vai influenciar radicalmente a vida do próximo. Como um jogo maquiavélico em que tudo controlas, sempre baseado num infinito de hipóteses (a chamada sorte), e que desfrutas contemplando do alto a brisa que lançaste na vida de alguém. Um simples bom dia a um desconhecido pode e vai alterar por completo todo o futuro do mesmo. Lançaste mais uma variável no seu mundo. A partir desse momento alteraste por completo a sua vida. E assim acontece a cada momento, a cada partícula de momento da nossa vida. É magnífico ter consciência disso. É soberbo, divinal. E saber que o mesmo acontece com a nossa vida. Uma palavra um gesto um cheiro um som um espirro um olhar o não fumar um charro o não atravessar a rua o não dizer olá como estás o sorrir e o sol e a lua e aquele movimento que sei que não vi mas influenciou alguém que irei ver daqui a 42 anos e irá adicionar mais um poema na minha vida o ler este post e saltar propositadamente a 3ªlinha e não voltar atrás… a consciência do jogo que jogámos a consciência do niilismo que invertemos ao entende-lo… niilista pois tudo é infinito e as hipóteses inimagináveis maiores que o infinito um vácuo de tudo a existência… nada se controla nada se pode controlar. É um jogo e já agora deixa-me jogá-lo… dependemos de todos os seres e de todos os segundos de todas as vidas; é um fluxo contínuo uma espiral de hipóteses existenciais num rio que corre para a sua nascente o espelho do impossível… é lindo viver e a morte faz parte dessa beleza. Dessas regras… e o amor?


O amor para ser amor tem que uivar…


 

Posted by baccusdionysus at 08:00 PM | Comentários: (3)

férias

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Eu ainda não tenho essa sorte. Mas já esteve mais longe. E vendo bem férias é quando um homem quiser. Só entro de férias a 5 de Agosto e vou curtir até 24 do mesmo mês. Devido à falta de tempo monetário vou-me ficar plo concerto de verão que só falhei um ano-  zambugeira do mar. adoro a costa alentejana. No algarve só Lagos escapa. Queria ir ao festival de Barcelona de benacassim, já que perdi chemical no Algarve e vilar de mouros. Mas pronto, siga sul. Lá vou eu a mariposa e o Nuno fixxx. O xxxico é uma incógnita, mas seria muito fixe se ele viesse. Poesia e vinho tinto a ver o sol a sussurrar poemas de promessas do dia seguinte. O  boss ainda não sei, mas qualquer coisa me diz que o sexo feminino fala mais alto. O hip e o ru também não sei. Acho que a seguir à costa vicentina será Tunísia. Não sei com que dinheiro… mas logo verei.


Quanto às histórias da Noruega qualquer dia conto-vos. E o Meco conto-vos hoje… grande animal esse homem. E tu sabes que estou a falar contigo. Pronto… obviamente não poderei falar claramente do Meco pois iria expor outras pessoas, mas… foi nice!!!  Moloko cocainadíssima com uma energia que não enganava ninguém. Os encontros do costume, uma multidão de desconhecidos que me conheciam e os cotas de sempre. Sempre a velha guarda presente. E os meus doutorzinhos já nada caloiros… é aí que vemos como o tempo passa. Depois de um jantar em casa desse grande homem half coelhinho half urso, e com pilhas duracell, corremos para o Meco. Eram 23h quando chegámos. Éramos 3, nós e a d. EEEEIIIIAAA. FODILHONA!!!!!


Mudando de assunto, encontros muitos, vodkas muitas, boa música, boa onda, fotos em troca de vodkas ( sim o Pedro Miguel Ramos é meu fã, aaaaaaagggggghhh! Mas em troca duma foto deu um vodka). E eis que entre cervejas e vodkas olho para trás e …. Atrás dos arbustos é melhor. Sozinho com o vodka... E pronto, no início de peaches sou agarrado por 2 matulões e sou expulso do recinto de uma maneira bastante agressiva. Ainda estou para saber o que fiz. Juro-vos. Quieto nem dançava e… tungas toma lá para não estares de kilt e a namorada do segurança estar a olhar para ti. Surreal. Durante toda a actuação de peaches estive a discutir arduamente com os agentes da autoridade sobre a questão de não intervirem numa situação destas ou outras dentro do recinto. Passei-me de tal modo que me ameaçaram de deterem. Fui-me embora. Frustrado sem saber o porquê… dei a volta ao recinto e vou ter à parte da frente da entrada em busca dos 2 coelhinhos que nada sabiam e sem telemóveis.  Olha o careca da saia!! Quéquestás a fazer aí fora? É sempre bom ser-se conhecido entre a organização e seguranças (alguns). E toca a entrar. Encontrei-os. Saímos. Praia. O resto não conto…


 


Mas o objectivo deste post é dar dicas aos leitores para poderem ter umas férias condignas. Vou-me debruçar sobre todos aqueles aspectos que ninguém fala. Só sussurram…


 


DICAS PARA UMAS FÉRIAS SEM RESSACA ( ou façam o que eu digo e não façam o que eu faço)

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Sexo


Andar sempre com 5 ou mais preservativos num recipiente específico, tipo porta-moedas. No bolso não por causa do calor. E isto é pras meninas também. Um tubo dos pequenos de vaselina dá sempre jeito, principalmente para quem gosta de praia. Lembrem-se que nesta altura do ano anda tudo louco. Vale tudo. E então se for noite de lua cheia. Não é um mito, existem mesmo alterações hormonais nos humanos. A partir de Novembro comecem em pensar fazer o teste do hiv. Não sejam parvos.


Hoje não me apetece falar de técnicas de engate, mas prometo que dedico um post só a isso…


Praia e sexo


As melhores ainda são da costa vicentina. Percam-se nas escarpas do Alentejo e acreditem que encontrarão paraísos. Mas têm que ser aventureiros. Em praias de nudismo, evitem (ou não) as dunas ou pinhais próximos. Algo de muito bizarro (ou não) se passa por lá. E acreditem toda a gente é bem vinda… experiência própria. Creme. Levem creme protector. Epá por favor nada de lagostins. E se forem naturistas não se esqueçam que os genitais também são gente. E apanha-se lá escaldões. Perguntem ao Gilberto!!! Quanto aos fungos e micoses, sal muito sal e sol. Aproveitem agora… lembrem-se da água, muita água. Pelo menos 3litros por dia, e isto para quem não bebe álcool.  Mesmo para quem não gosta de fruta na praia sabe sempre bem. Se tiverem sexo na praia, sempre por cima de uma toalha. Acreditem não é mito. Faz ferida mesmo. Se decidirem dentro de água, então quanto mais óbvios melhor, e sempre acompanhados por risos de brinacadeira. Acreditem que as pessoas  vão julgar que são 2 maluquinhos a simularem. Resulta. Pelo menos no mediterrâneo resulta… em relação a  picadas de peixe aranha, siga o cigarro à mão pois a toxina é termo-lábil. Se se encherem de thc também na pasa nada. Experiência própria. Em monte gordo. Vi o peixe, senti a picada, vi o ferrão e nada. Nem uma dor. Tirei o ferrão e fui comer um gelado. Escaldões – creme, nada de álcool (bebido ou sobre a pele, pois desidrata), nada de praia muita muita água para hidratar a pele. Acreditem que resulta…


Drogas

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Excesso de álcool – o que é uma ressaca? Desidratação e hipoglicémia. Portanto nada de café ou redbull e afins. Faz mesmo mal pois desidrata. Açúcar de baixo da língua. Muito e o máximo de tempo possível. Água aos molhos. E vão comendo comida rica em glicose. Isto para ir aguentando ao longo da noite sempre a curtir. Se te vais deitar, quer estejas em coma ou não, a receita é a mesma adicionando 3 ben-u-rons ao deitar. E água  muita muita água. Gurosan não é mau, mas quando muitas vezes seguidas o fígado nem vos conto. Era preferível as ressacas e o álcool. Cuidado.


Vinho tinto ou sangria – podes misturar com vinho branco e cerveja. Por vezes o vodka também não cai mal. Vodkas melhores e bons para a ressaca – moskovskaia e stolichnaia. NADA DE LICORES misturados…


Uísque gin e licores – só ficam bem sozinhos, senão preparem-se… sem charros à mistura senão vem a quebra de tensão.


Cerveja – conforme as pessoas. Comigo serve para refrescar e acompanha perfeitamente o absinto e o vodka ( as únicas bebidas que bebo).


Absinto – para quem aguenta pode ir com bebidas e licores anizados mas preparem-se ainda assim para a puta da ressaca. Tudo o que é licores dá ressaca e das más.


Tequilla - vai bem com sumos e outras aguardentes. não misturem com cerveja ou não se vão aguentar muito, par além de darem cabo do fígado. experimentem com laranja em vez de limão. e mezcal mezcal...


Vodkas – já vos disse as minhas duas de eleição e normalmente vai com tudo tirando o uísque e o gin.


Shots – força. Vocês é que sabem… mas pelo menos sem levar licores. Do mal o menos. E não façam disparates em beber bebidas energéticas com álcool. Só vai aumentar depois a ressaca, pois, como já vos disse, desidrata-vos.


Este verão para quem não conhece experimente sambuca romana, num cálice de cognac aquecido e com 3 grãos de café a boiar. Uffff… era a bebida usada nas orgias romanas juntamente com o vinho. Viva Baco.


Já agora uma bebida que inventei e fez furor na costa alentejana, embora saiba que já chegou a Coimbra. O Fernando pessoa. Copo de shot cheio a ¾ com açúcar, se possível mascavado. Despejem absinto até razar. Incendeiem e vão sempre mexendo com uma colher até o açúcar se tornar uma pasta verde. Bebam o que resta e comam essa pasta. E depois não se queixem… oh yyyeee!!!!

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Excesso de hashish ou cannabis -  se não misturaram com álcool o mais provável é arroxarem ou terem quedas de tensão. Quando isso acontecer água e sal debaixo da língua durante um pouco. Se não houve álcool o café só faz bem. Se misturaram álcool a receita é a mesma explicada lá atrás, mais, pelo menos, 1 g de vitamina C. para quem não sabe o antídoto do thc e da psilocibina (cogumelos mágicos) é o ácido ascórbico. Conselho de verão para quem fuma,  andem sempre com um tubinho de cecrisina ou laranjas. Acreditem em mim. Já me safou… sempre que vier o vómito não impeçam e se deitado sempre de lado. SEMPRE.

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Excesso de coca ou heroína –se overdose, não sejam estúpidos e chamem o 112. sempre com a pessoa em pls. posição lateral de segurança... se só estão com a pica da coca... olhem corram até se cansarem e água. é preferível (tem menos efeitos adversos e aumenta em termos temporais a pica da coca) em vez de snifar ou fumar uma base, colocá-la debaixo da língua. eu sei que é um sacrilégio para os que curtem branca, mas...

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Excesso de pastilhas ou mdma – se estão a tomar anti-depressivos nem pensem. Todas as mortes na Europa foram por associar essa droga a anti-depressivos. Já sabem nada de álcool e muita água. Nada de café ou redbull. Água. Se estão com a estrica pastilha elástica ou um charro para relaxar os masséteres. Dêem-lhe devagar, pois a partir de uma certa dose máxima só serve para atrofiar, ou então passa directamente para a propriedade principal desta droga – alucinações. O mdma está no grupo dos alucinogénicos e não no dos estimulantes como a coca. É um alcalóide que dá alucinações variadas. De preferência, se realmente querem, esqueçam as pastilhas. Andam cortadíssimas com  todo o tipo de substâncias. Se querem dêem-lhe antes nos cristais de md. Pelo menos sabem o que metem. Mas acreditem… só fode a cabeça. um dia conto-vos uma rara overdose de mdma fora de um hospital e sem ter morrido. Um dia...


Para quem gosta destes excessos experimentem andar com um lápis e um papel e irem pintando ou escrevendo enquanto se tripam. Experimentem usar as broas para a parte criativa. É nice. Mais nice era não querer usá-las.

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Ácidos trips e outros – em todas as drogas, mas principalmente nestas é necessário um sitter. Alguém sóbrio o suficiente para controlar a situação. Num ataque psicótico não há grande coisa a fazer. Têm aloperidol à mão? Se não 112.


Medicação a levar


Maxilase (anti inflamatório de venda livre não muito agreste), cecrisina, algo para diarreias, cêgripe, pensos e álcool. Cremes e protectores solares, vaselina e preservativos. Nada de cotonetes que só servem para causar otites. não vale a pena nada mais... o resto deixem para os médicos.

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Para energia - receita caseira com 2 cafés duplos com 2 pastilhas de vit. C e 2 comprimidos de complexo B, acompanhado com um guaraná (já não há efedrina). E sem álcool. Força. Boas férias. Eu tenho que ir trabalhar.


Aahhhhh… e se ainda não viram vejam 2 filmes que vi recentemente e acho magníficos. Um no king – coffee and cigarettes; outro em dvd – amor perro. Brutais.


Hasta.


 

Posted by baccusdionysus at 06:41 PM | Comentários: (17)

julho 19, 2004

dantes

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depois o caminho tornou-se mais íngreme


o sol olhava-me como para uma acha de uma fogueira


o penhasco enchia o vastíssimo horizonte


continuava a ouvir o regato por cima de mim


tornava essa melodia num ente de interminável êxtase abstracto


os dias sucediam-se petulantes e os dias tornavam-se mais e mais íngremes


 


levantei-me por entre os ramos retorcidos


cobertos por um musgo escorregadio e uma erva obscura


descobri na areia repousante de um momento


o rastro de uma cascavel


decidi aí adormecer... e numa prece coincidente libertei o delírio


que crepita na lancinante profundeza dos corpos


 


o carvão das letras esvoaça na febre trémula


 


sou o saltimbanco dos anjos


nenúfar de arsénico morrendo no vício indelével do poema


fluxo grotesco do excremento da memória das palavras...


o meu espólio:


            a minha pele


            um lápis


            um olhar


            tua memória


rasgada numa máscara de saliva quebrada


no fundo de um desejo de uma íntima contradição reluzente


 


por vezes tenho a nitidez de um sonho:  plumagem perdida


num espelho refulgente reflexo de enxofre liquefeito


continuo invisível na memória de uma gota de maresia de um bago de areia


de um raio de sol sem regresso...


            uma imagem perdida no espelho


morro todos os dias


            como posso estar vivo?


 


devoro mar e terra


esse veneno mundano do útero de uma magnólia


que me escreve no relevo da tua pele


as sílabas da minha lápide são meras sílabas iridiscentes


na sombra púrpura do ar que sussurra a penumbra


espalhada nas veias inquietantes da secreta vida dos seres...


perfurando a espessura da carne de um condenado


à imperceptível luz perpétua


excessiva claridade cúmplice imobilizando o silêncio


embebido pelo sal do esperma melancólico do enforcado


 


uma nova linguagem irrompe através dessa ânfora entorpecida do poema ilegível


numa constelação de palavras aquáticas


e um bolor doloroso onde pernoita a vertigem do tempo


e o vento de palavras apaziguadas em nocturnos dilúvios de profecias alquímicas


libertando essa serpente de escamas tumulares


de língua trôpega e ébria arrastando o peso etéreo de uma carne ausente


que cintila


            sob meus passos de sonâmbulo moribundo


espalhando um fogo exíguo


disperso sobre as pálpebras de um mar que se realiza flor


rosto de deus ávido de poesia e paixão


bebendo sofregamente essa diluição estremecente


de um ácido de minotauro contemplativo


                                    que flor nenhuma recordará...


eis-me acordado


condeno-me à inutilidade dos dias íngremes


dias esquecidos muitos dias depois de mim


ludibriando a morte em passos de silêncio e vozes de açafrão


 


o vestígio do precipício da cicuta de teu corpo de juba proibida


precipita-me na aridez da escrita


envolto no odor sedutor de um presságio nómada


onde se esconde o contorno de teu rosto de néctar fustigante


onde me abrigo no caminho longo


            onde nenhuma palavra será adiada


            onde as recordações escorram por entre os lábios convulsivos


onde as orquídeas respondam ao chamamento de um olhar de algodão


no clamor de uma noite sossegada


ao alcance da poeira dos dedos sem nome


tingindo o olhar na imensidão pulsando dentro de ti


 


dantes


na eternidade de teu peito


eu ouvia o mar


            na lucidez do meu silêncio...


 

Posted by baccusdionysus at 10:43 PM | Comentários: (5)

julho 17, 2004

a ti te dou

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a ti te dou a minha alma


a ti te presenteio com o meu poema


que morre como eu numa solidão ignóbil


mergulhado na tua mudez fervorosa


 


o tempo engole a eternidade medonha


habito os claustros cruéis taciturnos


de mil labirintos incertos


 


recordo o encanto curioso da penumbra


visto a sombra


a lua é o meu véu


o elixir vertendo estrelas


insolentes exalações do teu ventre


 


tudo em ti me é prazer


 


não é segredo


és o bálsamo místico


duma metamorfose tão perfeita


tão cintilante bizarra cambaleante


a tua voz é perfume


a tua noite reconfortante


 


cativada por tudo


transformas todos os sentidos em luz


 


embalas-me sobre um abismo imenso


numa abóbada de éter iluminada pela bruma da tempestade


  o doce olhar flagela-me a embriaguez da saudade


da tua pele impregnada por pérolas d´água num leito de incenso


 


nas noites sem fim aconchegadas pela insónia


bebo a infusão vertiginosa de prazeres curiosos


num imenso mar invadido por vapores nebulosos


 


veneno dos anjos


a tua língua verte o licor da força melancólica


      suspensa em petulantes carcaças soberbas


                   de odores selvagens e indolentes


 


virás das trevas dos céus profundos


ou surges do abismo dos astros?


 


criança arrojada que afagas o sepulcro do amanhã


blasfémia sublime beijo infinito da sedução idolatrada


és divinamente diabólica


és o fantasma sinistro da beleza voluptuosa


dum reflexo diabolicamente divino


és o fogo flamejante que transforma a morte e a doença em cinzas


 


bebo o teu gládio submisso


tranquilo como o sorriso dum sereno olhar


despedaças-me com o teu medo de cetim


mas logo pões sobre o meu peito beleza e cor


 


 


conheces a carícia que faz ressuscitar os mórbidos cadáveres


dás-me paz e desespero luxúria e horror


dás-me asas de gigante


reduzes-me a um menino apavorado pela dúvida da penumbra do desconhecido


sabes a arte de transformar os minutos em Paraísos fecundos


                                                 que zombam do efémero


 


virgem trespassada pelas pálpebras reluzentes


       conheces a angústia


            do pranto dos vagos remorsos


             do tédio do imutável


 


tu és a chaga e o punhal


és a vítima e o carrasco


és a melodia que faz dançar meu espírito


dança numa divina sinfonia irónica que me perturba e adormece


num desejo espectral em carícias de serpente


sobre os túmulos ternurentos dos seios lívidos


 


respiro o aroma do teu sangue onde o meu desejo nada


as tuas imperecíveis mãos sedutoras colhem as flores espessas


      de pétalas de azeviche robustas e atentas


                                        feridas pelo ar das noites enregeladas


 


memórias babilónicas mil memórias


   sinistras de um éden de mil répteis


               de um viajante imprudente


 de um poeta a rodopiar nos vapores


                  da Forma da Ideia do Ser


irremediavelmente essência


 


nunca te esqueças


o tempo não faz batota


simplesmente ganha


o tempo é um jogador


sempre virgem


sempre insaciado


 


a ti espelho gémeo


a ti mariposa cativante


perfumada pelo cristal azul da manhã


a ti anjo devasso que reanima a chama morta


e abre as portas do mausoléu infame da escuridão


a ti bela visitante de meu covil de mandragora e mel


a ti te dou a minha alma


 


aquela que sucumbiu à sorte de nunca adormecer saciada


aquela que prefere a incerteza do sofrimento à morte


         o delírio da beleza à certeza da doçura efémera


      a insanidade ao esquecimento o inferno ao vazio


 


aquela que te ofereço...


 


 

Posted by baccusdionysus at 06:04 AM | Comentários: (8)

o taveira desta nova geração

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epá, os putos até já mereciam um mestre...

Posted by baccusdionysus at 05:52 AM | Comentários: (4)

julho 16, 2004

no dia em que sou feliz

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hoje apetece-me ser vento


um regato anónimo libertando a espuma dos dias


uma paisagem que medita sobre o além


 


e o infinito é a manjedoura do universo


e o infinito é uma força que me acompanha


 


não ando só pelos trilhos longínquos


que derramam vagas líquidas de sensações ancestrais


uma saudade que inflama o pensamento


toda a tua ausência me acompanha


força que não me abandona...


 


imagino-te num altivo esforço


num misterioso corpo coberto de alma fresca


que se aproxima comovente em alguma manhã


                                                                                 lustrosa


 


vapor abrupto dos séculos antiquíssimos


relíquia de sossego que se abre num mar


de sensualidade e paixão


ninfa tranquila


que me retira num gesto de criança


o remorso de ter vivido


 


nesse pátio precioso de estrelas


espreito teus olhos de gata dissipada em gotas


de cores tão belas


tão dolorosamente belas


de elegantes vidros de pele que se estendem


ao longo de uma flor em brasa


 


âncora do meu futuro


onde me queimo em perpétuos beijos


apenas reais na sede dos regatos


e a tua sombra sulcada pelo prazer do teu ventre


de concha milagrosa de crinas noctívagas


alumia-me nessa noite púrpura irradiante


onde me sinto pequenino


oculto da minha vergonha


dormindo no sopro felino que teu corpo de sereia


me oferece...


 


afundo-me na luz de uma ofuscante espiral liberta


flutuando numa imensa delícia que me desperta


num oráculo doce de fluidos de pérolas


em anéis de frágeis safiras


acariciadas pela aparição rara de um sonho soberbo


 


e adormeço no suor dos astros


na tua carne transparente que desliza sussurrante


no dia em que sou feliz....


 

Posted by baccusdionysus at 02:16 AM | Comentários: (1)

louco

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Já não escrevo mais...


Acabou Não consigo escapar da regularidade rítmica Frusto-me nas tentativas de idealizar a morte apressada da poesia Não há palavras que me digam a profundidade do silêncio desmoronado Não consigo passar para o papel a surrealidade ignóbil das minhas vivências Entrego-me à tepidez da volúpia


Percorro desvairadas conspirações libertinas Os gritos são abafados pelos poros cavernosos do papel Ficam memórias Kafkianos presas a despedaçadas noites As sensações inexprimíveis ferem-me na incapacidade de consagrá-las Vou-me entregar a poesias visuais reflectidas em peles maliciosas A realidade vive-se esquece-se mata-se... e sorrimos ao recordá-la Nas mesas vazias ficam copos vazios chávenas conspurcadas garrafas cheias de nada Já me esqueci quem lá estava...


Vou enlouquecer...


Mas e se não percebem que estou louco? Se calhar sempre fui louco Sou uma marabunta larval e analfabeta Só sei voar E devorar Não sei escrever Nos olhos vê-se a loucura Não me arranquem os olhos Percebam a incapacidade de imprimir a fantasia real Será que tudo desapareceu à minha volta? A paisagem é apenas a minha realidade Afinal estou num colete de forças alimentado a narcolépticos indolores babando-me


                         gritando o silêncio com constantes alucinações de luz cor e espírito


O filtro cognitivo está entupido


Srª enfermeira


Sr.ª enfermeira eu sou louco


Eu sou louco


                                    eu sou louco


             eu sou louco


eu sou louco


                                                                        eu sou louco


 


                                                eu sou louco


                                                                                                                        eu sou louco


eusouloucoeusouloucoeusouloucoeusouloucoeusouloucoeusouloucoeusouloucoeusouloucoeusoulouco eu


As paredes são brancas eu sou um vegetal um paraplégico cerebral um dealer amorfo O gajo que julga que é um táxi está naquele canto da sala Sedado Esquecido Só agora percebi que a medicação não faz efeito Não me lembro do nada Antes julgava a normalidade


foi essa a minha loucura


Este café não existe De qualquer modo é uma boa alucinação esta realidade em que vivo Até parece real... O tempo passa Não sei a velocidade a que passa o tempo Quero um momento de sanidade para perceber Eu adoro o amanhã Deve estar na hora da medicação Deu-me uma vontade súbita de me levantar e ir embora Tenho que ir...


 


Já não escrevo mais porque nunca escrevi


 


 

Posted by baccusdionysus at 02:08 AM | Comentários: (3)

julho 15, 2004

sonhos...

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Os sonhos são como os Deuses:


Se não acreditarmos neles deixam de


                                                     existir...


                     E tu ficas perdido no Nada

Posted by baccusdionysus at 02:35 AM | Comentários: (6)

julho 14, 2004

paradoxo

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minutos flébeis horas vislumbradas dias de intermédio


que se imaginam num carmim bizarro de imaginário


futilidades descansando nos braços


na estranheza de um verso de eterna impaciência


numa pálida visita contemplada nessa expansão de olhar


amarás aquilo que eu amo - esse veneno de nuvens e silêncio


águas de luar imenso numa suavidade selvagem


flores sinistras de pétalas tumultuosas e perfumes delirantes


...


encantos vagos de uma meiga e fervorosa servidão


a um carinho de oscilações harmoniosas


esse eros de insidiosa embriaguez


esculpindo esse néctar do sangue dos anjos


 


queres conhecer o meu paradoxo?


escuta...


 


 


 

Posted by baccusdionysus at 02:31 AM | Comentários: (4)

salvatore

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Estulto. Imbecil. Asno. Burro. Ignorante. Néscio. Inepto. Boçal. Obtuso. Besta. Jumento. Jerico. Bronco. Salvatori stupido stupido…


Já tenho e-mail outra vez e acesso à web page também. Como? Após muito sofrimento e tentativas frustradas de arranjar e modificar a password que não me permitia ter acesso à inbox, resolvi ir à papelada da net cabo (que está à distância de um braço para quem está ao computador) e usar a password original. Genial não é? Pois. Resultou, quem diria. Em seguida após múltiplos downloads de programas de ftp para ter acesso ao meu domain, desisti. Não conseguia mesmo me entender com aquilo. Eu gostava era mesmo do outro que usava. E pronto. Após 2 semanas de angústia voltei a fazer o download do coffeefree cup e claro resultou. Mais uma vez genial. Passei quase 3 semanas sem mail e sem acesso àquela merda, quando o que deveria ser feito era o mais rápido e o mais simples. Coisa que não fiz… e é assim mesmo que a humanidade tem agido desde há 3 séculos. E todos nós. Desde as coisas mais simples.


Pronto. Se calhar sou mesmo eu, só eu… mas divirto-me… e de orelhas no ar. Eu sou a minha cenoura.


 


Meti som novo. Têm as recordações, mas não consegui colocar o tal som nice para a queca clássica de moet&chandon, morangos e cera de vela. Substitui-o por uma queca divertida. Ou então só vinho tinto… em 3º podem curtir os avós do electro, os sigue sigue sputnik. Para terminar toma lá saudade, e sem fado… a sc num comentário falou do medo. O medo. Esta música mostra-nos que é preciso matar o medo. É preciso gritar. é preciso dizer que…

Posted by baccusdionysus at 01:45 AM | Comentários: (1)

julho 13, 2004

boa noite

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Posted by baccusdionysus at 01:51 AM | Comentários: (2)

cego

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na insolência do momento o ar d’água silencia o festim de paisagens angulares


e sombriamente cortadas pela orquídea dum albergue do anoitecer


numa queda friável num retorno ciclópico aconchegado pelas penas de um pégaso


oriundo de um caleidoscópio de sensações


olhas-me...


 


olhas-me com olhos de mar


numa orgia de estrelas incandescentes e improváveis


num grito contínuo numa ressaca ordenada numa ferida leve


que me queima os olhos impedindo-me de olhar para o alto


onde giras numa lenta dança ocupando todo o espaço


que contorna a insolência deste efémero momento


 


o momento em que nos olhámos


e eu tive medo de ser cego...


 

Posted by baccusdionysus at 01:31 AM | Comentários: (2)

...

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e o zumbido irritante que nos faz adormecer exaltados sonhando sonhos entrançados


o medo como se fosse mel um pormenor ínfimo um silêncio oracular prestes a sufocar


na candura de uma vagina doce e amável que se abre numa cegueira íngreme


no escuro atrás de mim as sedas nos vasos as flores secas de tão primaveris


e o rosto dela em brasa soma potente ardente solúvel obscuro


doçura fortíssima de carne olhos pele e aromas


que me lembram outros lugares outra vida inextricável


límpida lírica harpa fatal


vais para a guerra pilhar matar ferir desferir com a tua mão gloriosa de amazona


o golpe absoluto do caos incerto e inebriante


abres-me as guelras e obrigas-me a respirar essa ar de rosas espinhosas mandibulares


e repousantes


as lágrimas incandescentes parecem avançar para mim


fundo-me no fundo de palavras e sangue entre máscaras pequenas e impotentes


leva a máscara


lava-me as lágrimas


as estrelas estalam a baforada áspera do casulo incendiado onde morre


a larva sem asas cingida pela ferida da escuridão


através dos orifícios dos meus pulsos vejo a distância do limbo que nos separa


 


inauguro o nome por que morro

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Posted by baccusdionysus at 01:26 AM | Comentários: (2)

guilhotina do amanhã

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evoquei a noite inata


junto a corpos estendidos cheios de vigor


tão cheios da beleza que eu prescindi


 


abro o cofre de resplendorosos olhos espontâneos


frias pupilas reflectindo um rosto de mármore negro


nessa cova chuvosa fossa vazia e langorosa


 


de joelhos sôfrego espero o sol raiar sobre a tumba gloriosa


escuto-te em sonhos derramados


numa esperança suave e ternurenta


brotarão das tuas pálpebras cascatas d´água


             do teu sofrimento


onde o meu deserto se seduz


 


dás-me entre sorrisos


beijos e carícias preguiçosas


o teu veneno é o meu sangue


minha realidade um cinzeiro onde ecoam as cinzas


                                             de fúnebres ânsias


 


vou espojar-me nas tuas trevas sempre refrescantes


 


estrelas de neve cobrem-te num manto solene


abafam os sons da tempestade


oferecem-te a calmaria


após a decrepitude fascinante e execrável


 


volto as costas ao cortejo enfurecido


alimento-me de amargas fadas verdes


que te libertam das correntes senis e quebradiças


         relíquias cativantes do descontrolo


 


recosto a cabeça pesada caída e pergunto-me num silêncio arrastado


“ o que procuram os cegos no céu plúmbeo e ensurdecedor?”


 


o toque que encanta


o prazer sonâmbulo dos transeuntes resignados


despojados da sua estranha e ingrata colheita


 


por entre sons polidos e licores prodigiosos


rumo aos confins do precipício do Universo


reabro o brutal céu das trevas entorpecidas


e vejo o horror do meu maldito poema


 


no crepúsculo do amanhã


num despertar ventoso e apical


exalo do meu peito ansioso as adagas refreadas e suaves


 


sou um maldito


não sou poeta


não sou sublime


não sou mártir


 


sou um maldito ofuscado pela lua vulnerável da tua noite cansada


 


sou um mórbido filho do sol


abandonando o dia numa lágrima de veneno canalha


                                                   livre e solitário


num volátil encantamento adormeço em grilhões de vulvas e bebida


e então sem medo sem remorsos


deito-me sobre o mar que me engole inteiro na imensidão do desejo


 


satisfaço-me em impuras carnes inertes e permissivas


em curiosas almas acutilantes e exasperadas


sento-me no trono profano do Templo


e cuspo amantes e sémen


espalho miolos e carne


 


germino na imundície da submissão da minha nudez


no sudário piedoso duma meta-meta-física convulsiva


exercito a absurda esgrima do prelúdio da noite cíclica


 


sem cabeça


o cadáver sobre o leito


oferece o seu sopro glacial


festeja a vida por existir a morte


 


sou a guilhotina do amanhã...


 

Posted by baccusdionysus at 01:17 AM | Comentários: (1)

julho 12, 2004

SHAKTI

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Shakti – em sânscrito significa energia e criatividade, ou pela via tantra, a divindade feminina da energia divina.


 


Fui ter a casa do rui por volta da 20h de 6ªfeira passada. A intoxicação da substância ingerida há cerca de 2h começava a dar os primeiros sinais. Um aumento das sensações internas e viscerais, acompanhado paradoxalmente por sensação de despersonalização. E o ritmo… o ritmo estava em tudo o que me rodeava. O ritmo existia numa relação sinestésica  entre o self despersonalizado e o exterior. Todos os estímulos tornavam-se ritmo.


Cheguei. Estava a tomar banho. Ofereci-lhe a última coisa que ele poderia esperar vinda de mim. QUEIJO. Mas da Noruega. Goat cheese ou golden cheese. Literalmente e sem demoras, queijo de cabra, castanho dourado, com sabor de queijo com caramelo. E má nada. Delicioso…


Após a audição do dvd com o meu último trabalho (leia-se broa) e depois de uns broncodilatadores, rumámos ao coliseu. A Inês e o Nuno Alexandre esperavam-nos. Chegámos e começam os encontros do costume com uma enchente de pessoal que me conhecia mas eu nem por isso (é a idade, a cabeça já não dá para tudo).


Antes de entrarmos ficámos a saber em directo que Lisboa corre o perigo de se tornar num cabaret-bordel gigante, com Santana a liderar as hostes. Eu por mim… desde que elas sejam limpinhas… mas é melhor começarmos a  interrogar-nos porque e para quê é que festejamos o 25 de Abril todos os anos…


Entrámos e a moca já estava lá dentro. 2ª fila da orquestra. Caiu-me tudo… eles entraram e eu quase lhes tocava. Sentíamos a sua respiração. Trocavam piadas entre eles que resolviam partilhar connosco que estávamos à frente… brutal. Começaram a tocar…


Nada posso dizer. Nada. Foi algo de místico. O encontro entre duas tradições -  o jazz, completamente profano, e musica clássica indiana, terrivelmente sacra. Travei um diálogo ocular com os homens da percussão, sempre acompanhados de sorrisos de parte a parte. Tentava entrar no seu jogo de ritmo, e julgo que pelo menos o venerado V. Selvaganesh se apercebeu disso. E digo jogo pois o que assisti ali foi a uma reunião de amigos, músicos geniais, mestres absolutos do seu instrumento (vá! Hoje tou a falar a sério), sempre num diálogo animado entre eles. Um diálogo de ritmo e amor, uma conversa transcultural e sempre tão simples… e fácil.


 


Entraram os 5 em palco. Da esquerda para a direita:


 


 


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Ustad Zakir Hussain – considerado o maior mestre de tablas actualmente. Filho do falecido Ustad Alla Raka, o maior mestre de sempre de tabla. Foi um dos percursores, juntamente com Ravi Shankar, a partilhar a música sagrada indiana com o ocidente. Na sua extraordinária capacidade de fundir a sua música com estilos musicais como o jazz, o rock, o folk, tradicional africana, japonesa,… tocou com ilustres como Ravi Shankar, L. Shankar, Ali Khan, grateful dead (já repararam que desisti de usar maiúsculas), george harrison, van morrison, Tito puente, pharoah sanders, chick corea, Carlos Santana, fez a banda sonora do filme little buddha do bertolucci, etc, etc, etc… tem um disco magnífico chamado making music com o McLaughlin, o garbarek, entre outros.  De momento está com a sua banda masters of percussion e rhythm experince, para além de acompanhar bill laswell no último projecto tabla beat science.


Em palco de branco, descalço, sentado no chão, sempre a rir-se e a afastar o cabelo da frente dos olhos. Nota-se a grande cumplicidade que tem com o john. Era ele um dos principais culpados das brincadeiras que apareciam a meio dos temas (que eram puras jams a partir de uma frase conhecida de um tema deles). O pó talco que usava dançava com o ritmo de uma maneira visualmente presenteira. Ao apertar-lhe a mão senti uma amizade fantástica e uma energia de levantar um morto. Foi ele que me disse que sabia que nós estávamos na 2ª fila. Topou-nos… O homem é mesmo porreiro. View image


 

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U. Shrinivas – indiano, nascido em Fevereiro de 1969, típico caso de menino prodígio. Mestre na arte de tocar mandolin. Aprendeu com o grande mestre de música Karnática Sri Rudraraju Subbaraju. É impressionante vê-lo a tocar, muitas vezes sobreposto à guitarra do McLaughlin numa precisão notável. Percebeu-se que é um protegido do john.


Sentado no chão com uma túnica escura de colarinho monástico, parecia uma criança envergonhada, rubor na face, olhos desviavam-se sempre perante o encontro. E uns olhos grandes grandes e pestanudos. Parecia um anjo profano.  Envergonhado e extremamente pacífico. Emanava paz, tal como todos eles. E falo de uma emanação física e palpável. Sentíamos um calor agradável perante eles.

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Shankar Mahadevan – não faço a mínima quem é. Sei que é duma importância brutal na tradição carnática e nas sagas cantadas dos textos védicos. Participou nos álbuns da pós reunião de amigos, remember shakti. Como já viram o agrupamento de agora só tem 2 membros da primeira formação.  Os restantes músicos que integram a banda ou são filhos dos membros originais ou discípulos directos. Isto devido à importância religiosa e cultural de manter as ragas e as sagas. De resto grande parte do público era de etnia indiana de castas notoriamente superiores. Este homem quando cantava era de um arrepio na espinha… grande grande enorme como convém a qualquer cantor clássico. Mas de uma voz e uma delicadeza… cantava sempre acompanhando com (julgo eu) as chamadas mudras sagradas. São movimentos e sinais dos dedos e com as mãos, inspirados nos textos védicos. Os olhos não enganavam ninguém e notava-se que gostava de brincar, principalmente num duelo entre ele e o Zakir, e o John com o Selvaganesh. Foi o primeiro a sair dos camarins e o primeiro a voltar. Não tive hipótese de contactar com ele, infelizmente…


 


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John Mclaughlin -  epá querem que eu diga o quê? É uma lenda e por isso sinto-me um verdadeiro privilegiado em o ter ouvido e apertado a mão, entre 2 dedos de conversa. Eu sei que ele me apertou a mão mas tudo o que senti foi uma sensação térmica de calor e não táctil. Tudo o que eu lhe e lhes conseguia dizer era thank you for your music…  sabia que ainda haviam lendas e mitos vivos, mas nunca esperei conhecer um. Eu acho que ele se divertiu bastante cá. Vai com a noção que em Portugal toda a gente se chama rui. Nos bastidores para além do rrurru e mais 2 ruis fãs, ainda estava o rui Veloso (gratos pá) e o rui ruas. Ficou espantado com os ruis. Eu também. Parecia um encontro de ra’s- ruis anónimos, uns mais do que outros.


No palco. Todo de branco, incluindo o cabelo, com a sua guitarra e o seu desespero da electricidade estática causada pelas luzes de palco… sempre calmíssimo, por vezes parecia dormir… sentado, erecto de cabeça baixa e olhos fechados. E de repente … pininmininnimin pini pinininin. Brutal. O mais conversador com um sentido de humor fantástico. Posava para a foto, falava, contava histórias, gozava com o rui Veloso… fantástico.


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Para quem não sabe de quem falo vou tentar resumir. É o maior guitarrista de sempre em todo e qualquer estilo. E com um currículo inacreditável. Ora vejamos…


Nascido a 4 de Janeiro de 1942 em yorkshire, grã Bretanha. Aos 15 anos quando ouve pela primeira vez miles davis a sua vida muda. No fim dos anos 50 tocava em bandas de ragtime, aquele jazz muito negro e saltitão. Nos anos 60 inicia a sua viagem por bandas de jazz e rock de fusão. Lança o seu primeiro e genial álbum com outros veneráveis do jazz (john surman um deles) com o nome de extrapolation. Quando chega aos estados unidos em 1969 conhece miles davis e é convidado a tocar com ele. Aceita, claro. Para além de tocar com todos os grandes do jazz (jack dejohnette, chic corea, keith jarret, paço de lúcia, al di meola e todos os outros); não satisfeito siga ele para a índia para estudar música carnática e se dedicar aos ensinamentos do guru indiano Sri Chinmoy Kumar Ghosh. Como discípulo o seu nome passou a ser Mahavishnu, nome da banda extraordinária de rock-jazz de fusão-progressivo, onde a restante orquestra eram ilustres como billy cobham, jerry goodman, jean luc ponty, entre outros. Participa também com outro acólito de Sri Chinmoy num álbum de 1972, apelidado de love devotion surrender. Esse seu colega acólito era Carlos Santana.


Enquanto na índia a estudar música clássica conhece todos os grandes mestres indianos e é aí que surgem as primeiras jams de fusão indo-ocidental. Esses encontros resultaram na banda shakti.


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V. Selvaganesh – filho do venerável T H Vikku Vinayakaram, que juntamente com L. Shankar no violino estereofónico de duplo braço de 10 cordas, V. Raghavan no mridangam, Zakir Hussain nas tablas e McLaughlin nas guitarra,  formavam a banda original (e 3 álbuns de originais). Selvaganesh, tal como o pai, é mestre em vários instrumentos de percussão – gatham,  kanjira e mridangam. Todos instrumentos por excelência de comunicação com o sagrado no campo da tradição carnática, numa forma de êxtase rítmico inominável. No palco era com ele que eu trocava mais olhares e jogos de ritmo. Ele ria-se e fazia-me sinal no meio das brincadeiras. É um gajo grande grande, rabo de cavalo apanhado, muito encaracolado. Também, tal como todos, descalço e sentado no chão. Era com o Zakir que ele brincava mais. Após um solo de 30mn o homem largava suor como ninguém. Era engraçado ver as gotas voarem ao ritmo das batidas. Ao seu encontro, todo o seu peso humano desvanecia-se perante uma leveza e uma vergonha que não parecia ter em palco. Um pouco ao contrário do Shrinivas.View image View image View image View image


Pois foi assim o concerto de shakti. A seguir ao concerto fomos para a porta de trás do coliseu com a esperança de… e entrámos. Estivemos com eles e falámos. Não tínhamos máquina fotográfica, mas temos memória. Ainda travei conhecimento com o rui Veloso – oh Chico fininho pêra aí. Tá cá o mestre mas já agora dá-me aí um autógrafo. Hoje vale tudo. Gratos… foi a parte do gratos que ele achou graça, despedindo-se com um aperto de mão e um calduço de companheiro na careca. Gajo porreiro…


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Saímos em êxtase. Comemos num kebab, sempre acompanhados (para não fugir à regra) por um prof de biologia porreiro mas cromo, que ninguém conhecia de lado nenhum mas apegou-se a mim. O costume…. Estávamos em êxtase. Fugimos e broa estava no pico. Já tava tudo absorvido e depois de 3 licores caseiros no bairro alto vamos voltar a tua casa rui. E tungas… toma lá uma coisa rara. Ia desmaiando tamanha era a broa. E é aqui que o ru tem toda a razão. Por pior que eu esteja sei sempre o que fazer. Expliquei tudo e o que se passava. Caído no chão num lago de suor... água, muita… vitamina C. não tens? Laranjas. 10mn e estava perfeito. Dum estado lastimoso que se adivinhava que passasse no dia seguinte à noite, para um estado normal. Carro da Inês. Casa. Dormir em paz. Foi o que me deram.


Tarde seguinte sem ressaca. Siga para o Meco. Mas isso são outras estórias.


Obrigado pela vossa música.


Obrigado pela vossa paz…


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Posted by baccusdionysus at 11:32 PM | Comentários: (5)

julho 10, 2004

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a esta semente darei Eu esta loucura


a esta loucura darei Eu a violência da verdade...


 

Posted by baccusdionysus at 06:08 AM | Comentários: (4)

página vazia repleta de nada

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a sereia banha-se desnudada no ressoar do meu crânio


nesse post-scriptum anunciado perfurando lentamente a incerteza da penumbra lisa


despojos de astros de fogo fátuo pirilampo injectado durante a vigília dos répteis


que se envolvem numa metamorfose nascente em movimentos filiformes


imaginando passos tatuados espalhados ocasionalmente pelo chão translúcido...


 


absorto renuncio ao sono ácido desses inesperados animais bravios


germinando entre teus olhos


                        pois os olhos também beijam


o corpo de suor amarrotado que queima essa esfinge


de desfocados tesouros incorporados nessa réstia sideral da órbita


da fonte dos astros... prepúcio de silêncio do toque pressentido


nessa ferida que amanhece


            ou anoitece na exaustão de um estilhaço


de sémen lunar


 


às vezes morre-se tanto na profundidade vertiginosa do caminho a percorrer


 


de tua sombra íntima jorram magníficos licores ausentes


esquecidos no abandono enrubescido


estiletes de água oblíqua adormecendo na dádiva aquática


libertando o corpo rente à embriaguez do Belo


 


a tua imagem breve permanece e tua voz


de olhos de palavras


            que não existem


rubis forrados a pele e pálpebras de pêlos de cetim


a íris das palavras definhadas na ténue mancha de carvão labiríntico


e carne e perfume imenso que flutua num ar lisérgico de pavões híbridos


detendo-se nas ruínas dessa musa-tempestade


de um corpo de místicas


asas irreais


 


o linho que te serve de mortalha ressuscita o sonho


e o sonho evade-se na cumplicidade


de um vestígio imutável de um beijo


que deambula com as aves de trémula lucidez


tilintando lendas de finas bagas de borboletas entorpecidas


esvaindo-se em lábios fulgurantes hesitando a semântica das coisas simples


pois as palavras crescem da tua boca de estações fecundas


seduzindo a lua desprevenida prolongando a noite num brincar agitado


de uma criança que se evapora em suaves turbilhões de voláteis incandescências


 


procuro-te numa página vazia


repleta de nada


esperando qualquer pensamento que se debruce


e te escreva


num relato simples de um eco de tempo...


 

Posted by baccusdionysus at 05:41 AM | Comentários: (2)

julho 09, 2004

...e volta

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ofício de diáfana nitidez penetrando a iluminura de um pergaminho


de mel sólido muito próximo do sabor conhecido do sangue


armazenado nos favos de vagos rumores silentes


de um monólogo fecundo sem título sem assunto...


de uma brevidade de tontura após um morno vinho e um afago minucioso


dilacerando a pele dos olhos voláteis embebidos nas frestas de teus cabelos


de outras águas de outras noites de marés que amanhecem num resíduo de um poço


povoado por mitos lunares inacabados cada segundo mais próximos


num estilhaço de um beijo fresco que mata


 


adormecido sobre a relva de seda que cicatriza


dissolvo-me num manto de vertigem na palidez de um gesto


                                                                        fora de mim


                                                                                    procuro-te


na luz branca das conchas refúgios alados de cavalos bravios com córneas de pérolas de madressilva


sinto o corpo envolvido por uma pele de finíssimos grãos de pólen macio


quase


quase oculto num rosto louco germinado nos lábios agitados do horizonte


que me toca para além da semente sedutora dos corpos aveludados


emaranhados nas escamas hirtas de outros espaços migratórios na insónia delirante


de uma ferida naufraga de um corpo


                                        dentro do teu...


simulando o amor imutável


 


a ave repousa no ramo esquecido


o vento afasta-se devagar para a penumbra agreste ao cimo da colina campestre


 


fustiga-me o sexo que se despe do bolor do sangue


muito próximo do odor desconhecido de um mel incandescente


que vagueia rente ao mar na companhia de pássaros de penas de lágrimas esquivas


espuma dos dias de suor balbuciante amadurecendo no fundo da garganta


lavando-se na simplicidade de uma morte íntima que sufoca a sedução


das luas de cio fervente


 


sorvo-me na obscura bruma de uma monstruosa visão


de uma pagã divindade devoradora... ímpios lábios que beijam


e sorvem o ar desprevenido desenhando o seu rosto com o carvão


de uma estrela de antigas cinzas sumptuosas


na repetição dos dias de páginas fascinadas pelo vazio amplo


de um reflexo em que apetece morrer


                                                               e voltar...


 


devasso as sílabas demoradas de uma palavra


que apazigua a miragem translúcida do esplendor trémulo


da água de um verso


petrificado no crepúsculo


da madrugada em que sucumbo enfim


ao desejo de querer morrer


                                             e voltar...


 


numa felicidade etérea de fogo fátuo que permanece


sobre os fogos do mar


exterminando a dor


embalando os olhos derramados nas trevas precárias


de uma inspiração


            consistente textura de enxofre esse ar de grito de deserto


que engole galáxias e nasce no sono distante de dois corpos seiva dos deuses


num sereno lago de perfumes intensos escadaria tímida do fundo do cristal


dos mares remotos onde tua fragrância se perde


                                                                                 e volta


escoando-se eternamente por entre os dedos latejantes


ofuscados pelo silêncio desse dia que morre


                                                                          e volta...


 


irrompendo com ferocidade pela epidemia de memória emaranhada


golpeio uma veia


            lentíssima


que devora a beleza grave da exaustão dos sentidos


hesito em rasgar a luz das asas de cerejeira dessa claridade


tecida no coágulo espesso de uma carícia lívida


de pétalas de um instante


 


sabes...


por vezes pensei matar-te ao fim da noite


e voltar no amanhecer para morrer em ti...


 

Posted by baccusdionysus at 03:58 PM | Comentários: (4)

...dassss ...aralho ! ! !

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Tou todo lixado. Passo a explicar… para além de problemas de foro afectivo, tenho umas perguntas chatas do trabalho para responder, um trabalho de investigação a preparar,  outra banda sonora a fazer (isso é nice), fiquei sem ter acesso à minha inbox do email (não me aceita a senha e não consigo mudá-la), a minha conta do domain do coffee cup expirou e deixei de ter acesso ao som com que vos presenteava e outras mudanças ao nível do blog. E daqui deixo o apelo – que posso fazer? Como ter acesso a um domain gratuito (pois, esta parte é importante)… e já agora se me quiserem contactar por mail usem o andre.faustino@netmedico.pt … pois o outro já se foi.


Gostava de ter mudado o sonzinho do blog. Ia pôr sigue sigue sputnik (party on), bugge wesseltoft (recordações da Noruega), flama flama (experimentem uma queca ao som disto, moet&chandon, morangos e velas, incluindo a cera) e cazuza e bebel Gilberto (para quem está in love). Pois… só que agora vão ter que apanhar eternamente com ena pá, au bordel, primal scream e white stripes… desculpem.


Quanto à Noruega, prometo que os próximos posts vão contar mais umas estórias… agora tenho que me despachar pois os shakti esperam por mim. E o thc absorvido a nível gástrico também… em relação a estes senhores com que me vou deliciar, se não conhecem leiam o post music? I hate music… e vão ver que ficam na mesma …


Hasta e digam lá como resolver pelo menos o problema do mail e do domain.


Machines? I hate machines…


 

Posted by baccusdionysus at 03:42 PM | Comentários: (3)

primeira vez

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o primeiro grão de pólen que adia a memória


a primeira gota das lágrimas de um mar de tâmaras


a primeira carícia na pele de um olhar de cereja


a primeira brisa da febre de uma borboleta de âmbar


a primeira flor de mel espalhada no manso ventre


da primeira mulher esculpida pela noite que estremece


no perfume delicado do primeiro respirar lento que gera a vida


 


o primeiro desejo de ficar


silencioso na vigília da tua claridade imensa


que apazigua os corpos num rumor de uns lábios frescos


e eles oferecem-te o primeiro beijo melancólico que rasga


os primeiros olhos... que te viram pela primeira vez

Posted by baccusdionysus at 03:07 PM | Comentários: (6)

azul cadáver

ajuntament.jpg


espasmo


espasmo de luz


espasmo de luz que embala o azul


espasmo de luz que embala o azul deslumbrante


 


ante


anterior


anterior mente o seu embrião ágil


anterior mente o seu embrião ágil e cego


 


ego


ego istmo


ego istmo da memória


ego istmo da memória enterrada pelo esquecimento


 


mento


mento de édipo


mento de édipo moribundo


mento de édipo moribundo nascido pai


 


ai


ia...


diplopia neuronal


cai no espaço interdito dessa pia


abutre que expia uma leve alada diplopia neuronal


 


al


a moral


amoral


amor


orquídea deslumbrante


ininterrupto espasmo cego pela lembrança


 


o azul...


            alado


 


oazulaladodoamor


 


meu cadáver...


 

Posted by baccusdionysus at 02:54 PM | Comentários: (0)

julho 08, 2004

a linguagem morreu...

ESPIRAL2.gif


a linguagem morreu... desvaneceu-se na tepidez da realidade


agora


longe de conceitos paredes de melancolia lisa


esmagando significados de penumbra


essa rosa doce mergulhada nesse espelho fusiforme e abstracto


agora


distante dessa conceptualização velada por uma razão exaltada


beijo a melodia de lacre e linho 


ardente espasmo de perfume imenso


 


noite de vento dançando por entre a aurora imóvel


crescendo por entre a profundidade da melodia unida à urna de uma imagem selada


perdida na matriz do aroma de uma ave de asas de trevos e olhos de serena embriaguez


 


no anonimato da percepção do inteligível levo a esses olhos vagarosos


a cor das palavras


quadro de silêncio inexprimível


frutas e sabores incógnitos de outros anéis fulgurantes


revelando gárgulas protectoras e insidiosas


 


regressando à simplicidade dum instante vasto e imóvel...


 


tudo se ilumina nessa face sonâmbula de uma magnificência de fogo ligeiro


teu corpo pousado sobre a pele de prata


pele de nenúfar ilimitado


pairando sobre os cabelos de primavera e olhos de cascatas tranquilas


que refrescam os dedos da alma


 


gostaria de te escrever o indescritível


denominar o impossível


decifrar a gruta onde tomba o sonho incrustado no espanto


restando só a melodia do imperecível


onde aconchegado nesse sopro mato a linguagem...


 


 

Posted by baccusdionysus at 01:51 AM | Comentários: (7)

hasta

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obrigado...

Posted by baccusdionysus at 01:45 AM | Comentários: (3)

penso

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penso que estou a pensar no meu pensamento pensado


há tanto tempo


que


há tanto tempo


penso que estou a pensar no meu pensamento pensado


 


 

Posted by baccusdionysus at 01:41 AM | Comentários: (0)

mot de robuste silence

LW38.jpg


ela passeia-se pelos olhos de um gato nocturno e profundo. cintilando. o mistério ilumina-se perante o astro negro dilacerado pela beleza casta da intensidade do infinito. a luz de uma sombra. irremediável silogismo de um silêncio pitoresco nessa indefinição de desejo.


num duelo vulcânico numa soberba graça inexprimível.


na imensidão das nuvens embriagadas pelo céu inflamado pelo teu beijo de cera pródiga. brincas... na imensidão desconhecida deliciosa na plumagem maleável e frágil que faz repousar corpos imensos. acariciando as pálpebras de quem te olha e exclama:


 


elle est un mot de robuste silence


...


 


silêncio quebrado entre o brilho trémulo da palavra veloz de ardente pureza.


ressoando... extinguindo pensamentos


de lírios selvagens murmúrios de incalculável melancolia desperta. contemplo o espaço sem limites incomensurável indivisível e imóvel. abraçando o primeiro momento divagante da quimera tenaz que provoca o palpitante desejo de


 


lentamente morrer sob a eternidade do teu olhar...


 


 


 

Posted by baccusdionysus at 01:39 AM | Comentários: (1)

voltei

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Ora bem… faz hoje uma semana certa que me despedi de vós para ingressar numa viagem de 4 dias pela terra do é sempre dia e tantas coisas aconteceram no entre tanto… não sei por onde começar…


Portugal ganhou. Não estávamos há espera de outra coisa. Já estava ganho. Ficámos em segundo  no euro mas em primeiro no orgulho e no receber bem, no clima e no turismo, na organização e no party on,  no futebol bonito de se ver e na segurança.  A parte de um gajo a marcar-se golo fez parte do show off deste euro. Os noruegueses adoram-nos e Portugal é dos principais destinos de férias na Noruega. Incrível. Correu mesmo bem o raio do euro. Mas não é que o raio dos bruxos de Portugal adivinharam esta merda. No dia do jogo contra a Inglaterra, a capa de um conceituado jornal multidisciplinar mostrava- todos os bruxos de Portugal estão unânimes. Portugal vence a Inglaterra e passa à final, mas perde a final. Sorri sabendo que ganharíamos à Inglaterra e que depois só teríamos que fazer um esforço para convencer os bruxos a mudarem de opinião. Não tive tempo. Lixamo-nos. E eu a pensar que torci pela Grécia algures num bar na Noruega para depois ter o prazer de ver a acrópole cair perante a fúria lusitana. A fúria estava de folga e eu num avião de regresso para Portugal. O jogo começava e nós nada. Nem rádio nem televisão nem relato. Tínhamos uísque. Muito uísque. Eu o pessoal da madeira e as hospedeiras (não espalhem…) eu bebi 7. a hospedeira não sei quantos mas gritava e gritava ao microfone algo como viva Portugal viva asgjfgsjgfg Portugal Portugal sadshfjjjgj… bêbada convenhamos. Os cotas da madeira eram hardcore. Ficámos logo todos amigos a partir do momento em que referi poncha. Mas até aterrarmos só nos diziam que o jogo estava empatado a 0. cheguei corri e vi as imagens de um estádio, de uma nação desolada. O jogo tinha acabado e tínhamos perdido. Não nos tinham dito nada durante o voo… sentei-me no chão e chorei. Malas, mem-martins, casa. Manhã seguinte trabalho. Ainda nessa noite soube que tinha morrido um grande homem. Para mim um exemplo na arte que criava. Marlon Brando tinha falecido aos 80 anos. O último post é uma imagem emblemática dele no apocalypse now. E a frase desse post minha, como um prenúncio incógnito de algo. Antes de partir a última coisa que fiz foi retirar imagens dele. Há muito tempo que não me lembrava desse homem e nessa noite deu-me a fúria de ir tentar sacar tudo dele. 2 dias depois ele falecia… a esfinge grita pelo meu enigma. Perceberam agora qual o enigma. Seja a esfinge a morte e o enigma o próprio post…


2ª feira recebo a notícia que tenho que entregar uma banda sonora de uma peça de 7 minutos em dvd para ontem. Não consegui trabalhar nesse dia. Ontem depois de uma tarde com o Nuno fixxxx ataquei o fruity loops a partir das 22h. não tinha tempo. Seria impossível. O Nuno e o xikie vieram a meio da noite pois já tinham acabado tudo da parte da arquitectura e eu tinha ainda que colar uma banda sonora a um vídeo. É mais fácil compor uma qualquer música… uma ost é complicado pois o objectivo é potenciar o aspecto visual numa sinestesia subliminar. O objectivo é vender o projecto.


Fumei. Auto provoquei o transe e 6horas depois em nonstop tinha criado uma cena muito nice. Fiquei orgulhoso de mim e isso é raro acontecer.


Hoje banco. Trabalho, muito trabalho. Tou estafado tenho que ir comer qualquer coisa. Mas precisava mesmo de vir aqui vomitar uma estória. 6ªfeira shakti. Finalmente vou realizar um grande grande desejo meu. Ver a genialidade in vivo a uns escassos metros de mim. Plateia 2ªfila. Sábado Meco. Rever a pichies. Será que ainda se lembra de mim? Os próximos será benacassim e chemical e depois a costumeira zambugeira. Crianças o Buda-ghandi aí vai…


Noruega. Noruega. Oslo. Tanto tanto para dizer. Nos próximos posts oferecer-vos-ei as fotos de lá. Algumas… puta de país caro como ós tomates… sempre dia. Chega às 20h e a luz permanece igual até às 4 da manhã altura em que ainda fica mais luz. Sem sol… isto durante cerca de 4 meses. Os restantes meses têm 6 horas de luz diárias... mas durante os dias que lá estive não vi a lua...


Negros, muitos negros e muito procurados pelas locais. Negros gregos e muçulmanos de diversas etnias. São estas as comunidades principais lá do sítio. Para não sair da regra das outras viagens, sem querer ficámos alojados na zona hardcore (para eles, cá aquilo era um paraíso) de Oslo. Ou seja onde residem todas essas comunidades. Hotéis nem vê-los. Ia ter que vender o rabinho para pagá-los. Lembrem-se que segundo os últimos estudos é a Noruega neste momento que tem a melhor qualidade de vida do mundo!!!!


Ficámos numa espécie de complexo hoteleiro e habitacional. Tinha hotel, residência de estudantes, apartamentos residenciais e albergue onde ficámos. Ocupava 2 quarteirões, com direito a jardins. Queres lençóis? Paga. Queres almofada? Paga. Queres uma merda duma colher? Paga. Queres net, matrecos, ou outros jogos? Tas à vontade. É gratuito. Outra coisa. Os gajos entram nos quartos à grande. É normal lá. Se tas a quecar, não estivesses. Eles batem à porta e entram. Assim! Ficámos, por engano deles (coisa rara),  num quarto para 6. mas só para nós. No 2º dia eis que aparece uma amiga de Bruxelas, comigo nu nas casa de banho de porta aberta. Bem-vinda. Mais à noite uma segunda amiga loira, que julgo que era surda-muda, pois nem nos dirigiu palavra, enquanto desmanchava a mala e a de Bruxelas dormia. Eu? Enrolava-os e preparávamo-nos para a noite. A deles começa às 18h. A sério, e já tão bêbados que nem um cacho às 9 da noite. Cerveja muita muita cerveja. Podem estar a cair mas não se houve um grito na rua ou barulho. São bué ordeiros. Mas eles adoram cerveja. É mais barata. Uma imperial (o,5l, lá não têm outras doses) são cerca de 7 euros em qualquer lado. Lá o álcool e o tabaco têm um imposto especial brutal. Disseram-nos que vão aplicar essa taxa a tudo o que seja doces. Mas no álcool é marado. Eles medem as garrafas!!! Qualquer bebida superior a 40graus é proibida. Acerca de drogas nem se fala. É algo muito íntimo para eles. Ainda me chegaram a oferecer hash ao pé do hotel, mas de resto não se vê nada. Tal como a polícia. Só vi a polícia no sábado à noite num carro, de resto nunca, mas nunca se vê polícia nas ruas. Tal como fiscais nos transportes. Não existem. Eles partem do princípio que toda a gente paga bilhete. E pagam. É outra cultura outra cognição. Se todos realmente cumprirem as regras só pode reverter para todos. E realmente é assim.


É o país mais verde que já vi. É só jardins locais para passear. Carros nem vê-los. Raros muito raros. Bicicletas e transportes públicos. E realmente chega-se rápido aos sítios, pois não há trânsito, e respira-se tão bem, lá a rinite foi de férias. Tudo é caro, menos a cultura. Livros e música é para eles ao preço da chuva, ou seja, é ao preço de cá. Museus, gratuitos, tirando aqueles para turista ver. Fui à national gallery e fiquei deslumbrado. 1 hora à frente do pensador de rodin. Sim! Estava lá! E eu também. Lindo, magnífico. Depois foi mais meia hora à frente do auto retrato de van gogh. Sim, também estava lá. Mas aqueles gajos são mesmo estranhos. Está quase tudo em norueguês mesmo no museu. Cagam para os turistas, mas por outro lado toda a gente sabe falar inglês.


São um povo que se cumprimenta à distância mas adora tocar e fazer festas. Sempre sem beijos. Mas são muito quentes. As mulheres são quase todas bissexuais. E lindas, lindas. Loiras e olhos translúcidos. Não muito altas e sempre muito bronzeadas, e nota-se que é natural, nada de bronzários. Mas quando nos aparece uma norueguesa morena. Dassss. Morre-se. São tipo apenas para olhar. Apenas… São todas tão lindas e belas que se tornam inatingíveis, embora deixem que vos diga que elas são bastante atingíveis, bastante mesmo. Nota-se que gostam de sexo e não perdem cá tempo. Mas toda a gente é beautiful people. Muito cool e fashion, e calmos, muito calmos. Para não ser injusto, os homens também são todos lindos. Pronto…


Há 2 ondas lá. Os góticos e os outros. Dão-se todos bem. Mas existe uma cultura ouija muito grande lá.


Uma coisa que me deixou transtornado de estupefacção… saiu lá a semana passada uma nova lei em que não se pode beber álcool fora dos bares e não se pode fumar dentro de qualquer recinto. Incluindo cabines telefónicas. A sério. E acreditem que toda a gente cumpre. Toda. Uma semana depois não se vê uma pessoa a fumar num bar ou a beber na rua. Bebes lá dentro e vens fumar lá para fora, e falas baixo. Existem cinzeiros tipo caixote do lixo à entrada dos prédios, lojas e bares. E realmente não se vê uma beata no chão. Beatas ou lixo. Sem polícia nenhuma em nenhum lado e toda a gente cumpre. À pala disso fumei em quatro dias o que fumo em um, ou seja 1 maço e meio. Obrigado Noruega. Havia de ser cá… os latinos realmente são muito ignóbeis. É o desenrasca e o aproveita agora que ele não está a olhar.


Proximamente contar-vos-ei as aventuras da comida, da noite, da ilha, da música, da música… agora vou comer, que com o tamanho disto não sei quem vai ler.


Talvez algum norueguês…


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gratos


Posted by baccusdionysus at 12:58 AM | Comentários: (5)

julho 01, 2004

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a esfinge grita pelo meu enigma...

Posted by baccusdionysus at 03:35 AM | Comentários: (9)